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Travessia dos Fortes

In Uncategorized on 13 13UTC março 13UTC 2010 por michevrand Etiquetado: , ,

Não. Eu não mudei de esporte. Eu ainda me considero uma velejadora, apesar de estar um pouco afastada da vela. Na verdade, só da prática.

Mas todos os esportes que envolvem o mar me encantam muito. Já fiz curso de mergulho, esquiei e velejei. Agora, resolvi investir na maratona aquática, até mesmo porque o investimento é bem baixo em comparação com a vela.

Me inscrevi na Travessia dos fortes, percurso de 3.800 metros, entre o forte de copacabana e o do Leme, que vai acontecer no dia 06 de abril.

A menina de maiô azul à direita da foto é a responsável. Mas na verdade, eu queria voltar a nadar há muito tempo. Parecia promessa de político, não acontecia nunca. E pensei: “se eu me inscrever na travessia, vou ter que voltar a nadar de qualquer jeito”.

E funcionou. Acordo religiosamente às 6h da manhã, e vou nadar. Estou correndo atrás do prejuízo, o cabelo tá ficando uma porcaria. Mas é maravilhoso sair da água depois de nadar bastante, com o corpo mole, relaxada e com a sensação de missão cumprida. Mais do que isso, de superação. Isso é o que representa a travessia pra mim.

Sempre foi um sonho pra mim uma vida tipo assim: acorda, nada uma hora no mar, volta pra casa e vai trabalhar. Só que na praia de Icaraí, fica um pouco desestimulante.

Hoje fui nadar no projeto Natação no Mar em Copacabana.

Achei o projeto incrível. Uma raia motanda no cantinho da praia, e aulas de natação no mar, GRATUITAS. O melhor de tudo é o carinho com que as pessoas são recebidas e tratadas. Todos são carinhosos.

Depois da aula, eu e Aline, a menina do maiô azul, fomos nadar um pouquinho. De repente, quem aparece nadando do nosso lado é o Luiz Lima. Perguntou se a gente estava perdida. Eu achei a pergunta curiosa a princípio, mas depois percebi o carinho.

Ele conversou com a gente um pouco. Contei que tínhamos nos inscrito na travessia. Ele começou a dar dicas! Dica de campeão é preciosa. Só não peguei meu caderninho pra anotar porque estava dentro dágua, e ele, há alguns quilometros lá na areia, meu caderninho tadinho.

Foi incrível vê-lo nadando: o braço do cara é gigante dentro da água. Cada braçada, metros percorridos. E eu ali na minha humilde nataçãozinha. Ele brincou com a gente de competir, imagina! Dei tudo de mim e nada! Nada filha! O Luiz foi ver um treinamento de salvamento dos bombeiros que acontecia em alto mar. Deu umas braçadinhas e foi ALI ver. Eu, que já era torcedora, agora virei fã.

Não vou vencer a travessia, mas venci a preguiça.

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Por que mudar tudo?

In trabalho on 26 26UTC fevereiro 26UTC 2010 por michevrand Etiquetado: , ,

30 anos chegando, perguntas, perguntas, perguntas: qual o sentido do que faço? Para que produzo? Qual o sentido do meu trabalho e o que quero atingir com ele?

Será que sou feliz com as minhas escolhas?

Dias passam, escritório, funções definidas (burocracia), carteira assinada, 13o, férias, certezas. Certezas, rotina, tédio, olhar inexpressivo.

Tudo pro alto. Europa. Será que volto?

Sonho, aventura, uma certa inconseqüência calculada. O brilho no olhar voltando aos poucos. Tudo faz sentido agora. Estar ali, eu construí. O mundo ao meu alcance. Porque não antes?

Ainda em Paris, o convite para o trabalho. Um bom motivo para voltar. Fazer parte de uma equipe encabeçada por Michel Melamed. Eu já tinha assistido a peça, o programa, a minissérie, ouvido uma poesia. Obra de arte legítima. Me intrigava saber o caminho, o processo, a engrenagem. Não entendi direito o que era o programa, mas topei.

As idéias me pareciam muito engraçadas a princípio. E algumas realmente são. Depois fui entender que não era um programa, eram 26! Quantos produtores levam dias, meses, anos tentando criar um formato, e muitas vezes não conseguem. Idéias. Eram muitas. Eu, como assistente de produção, pensando no trabalho que ia ter para concretizar aquelas idéias. Missões quase impossíveis. Porque criar algo novo não é simples.

Começam as gravações, loucura total. O cara chega no set querendo gravar para ontem. Comecei até a especular o que faria parte da dieta: pilha? De repente, o convite para assistência de direção. Fiquei tão comovida e feliz e, ao mesmo tempo, morrendo de medo. Será que conseguirei cumprir bem meu papel? O que esse louco espera de mim?

Mas fiquei tão encantada com a idéia toda que topei. Que experiência incrível, desafiante. Arame farpado, açougues e solos de bateria: o que uma coisa tem a ver com a outra? Entendi tudo. Ele sabe o que quer. E o que não quer. Não é para ser o que já é. Pense.

No início, foi difícil definir meu papel, até mesmo porque é múltiplo. Acompanha o roteiro, cuida do ator, cadê o figurino, olha a continuidade, seca o suor, arrume pessoas variadas na rua, pizza na camisa, verifique os arquivos dos cartões, tem feijão no meu dente, me lembra isso, não esquece aquilo, pesquise coisas, cadê as artes e por aí vai… Um milhão de coisas para resolver, todo o resto da sua vida, academia, namorado, mãe, fica de lado, mas não é menos importante nesse processo. No final do dia, a felicidade da sensação de dever cumprido, de ter feito a sua parte na realização de algo novo. Deitar na cama realmente cansada e feliz.

Para mim mesma, eu falava: é difícil, mas tem que tentar, tem que conseguir, pense no resultado, vai ser incrível. Trabalhar com paixão. E tudo que envolve paixão tem lá suas doses de sofrimento. Porque é sofrido mesmo. Demanda tempo, suor, dedicação. E isso fica tão claro no resultado.

Queria ter feito mais. Queria ter sido melhor. Será que dei o meu máximo? Fica a lição para o próximo trabalho: vale tanto a pena.

Eu aí em baixo: de fã para colega de trabalho.

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O melhor da infância

In Paris on 7 07UTC janeiro 07UTC 2010 por michevrand Etiquetado: ,

Ser gêmeo é incrível. Principalmente na infância. Você tem sempre um amiguinho da sua idade para brincar. Você e seu irmão, ou irmã, viram quase que uma coisa só. Uma bolha impenetrável de amizade, amor e confiança.

Mas teve alguém, que, até hoje não sei como, conseguiu conquistar o coração das duas pestinhas! Contrariando todas as estatísticas, Carol, a menina estridente da foto abaixo, conseguiu se encaixar no meio da panela que nós duas formávamos, a Dani e eu… ou seria eu e a Dani?

Enfim. Reencontrei essa criatura em Paris, depois de mais de 10 anos de afastamento (ela mudou de cidade e de colégio), e percebi que o amor e carinho da infância ainda permaneciam.

A gente morava no quarteirão ao lado dela, frequentávamos o mesmo parquinho e colégio, e nossas mães se tornaram amigas. Aliás, elas são muito parecidas. Nos divertimos com elas!

Na foto abaixo, a Carol protagonizando uma cena típica, e Áurea tentando disfarçar! Reparem que nenhuma criança olhou para a foto!!!

Você brinca, você belisca, você dorme junto, você ri, você chora. Durante boa parte da minha infância, Carol foi a terceira irmã. O que eu percebi: apesar do afastamento, permaneceu a intimidade. Na casa da Carol, eu me sentia em casa, e lembrava da alegria que sentia quando íamos dormir na casa dela ou viajar juntas!

Saudade de ser criança, feliz de ser adulta e poder contar com essa amiga pra sempre.

Carol,

Obrigada por tudo! Você mora no meu coração.