Pela manhã fomos ao mercado de peixes de Veneza, e fiquei impressionada com os bichos, que são vendidos vivos ainda. Muito frescos! Fiquei com peninha.
- Olá, eu estou vivo! Quer me comer?
Veneza é muito lindo. Mas tem dias que não tem jeito: TPM. Me irrito com bobagens sem me dar conta. Quando se está viajando, você esquece o dia do mês, da semana, se tomou a pílula, quando parou. E o tempo passa.
Hoje eu queria visitar um museu de arte moderna. O Uirá não agüenta mais ver obras do Renascimento, nem eu. Li no meu guia que tem um em Florença com obras de Magrite, Picasso, Pollock, Kandinski e Dali. Enlouqueci, enchi o saco do Uirá, gravei o nome do museu e fomos. Rodamos, rodamos, rodamos, e nada de achar a galeria de arte. Estávamos rodando em círculos. Enfim, uma boa alma percebeu e nos orientou. Chegamos.
Compramos os bilhetes (8,50€ cada!), eu super feliz, o Uirá nem tanto. Comemos um sanduíche e entramos. Rodamos para lá e para cá e nada dos artistas modernos… só Renascimento. Eu não estava entendendo. Resolvi perguntar. A moça disse: não é aqui, me dispiace. Nessa, já tínhamos perdido tempo e dinheiro.
Depois fui perceber, lendo novamente o guia, que o museu que eu queria ir era outro, o Guggenheim. Fiquei arrasada. O Uirá havia pago as entradas, e não queria mais perder tempo em museu. Desisti de ir e resolvemos andar. De repente, encontrei o Guggenheim. Passeamos, voltamos, e na volta, bateu a depressão típica reforçada pela TPM: como eu poderia estar tão perto deles e não ir visita-los?
Comecei a chorar feito criança. O Uirá, que me mima muito, falou: você vai então. Eu fui. Sozinha. Entrei, dei de cara com:
O império das luzes, de Magrite. Foi incrível. Sempre admirei esse quadro e agora ele estava na minha frente, com a aura do artista.
A obra mais importante do Pollock:
Eu queria muito ter acertado de primeira, queria que o Uirá estivesse lá comigo para ver os bolos de tinta que o Pollock deixou.
O mais legal é que o museu exibe fotos dos cômodos da casa que pertenceu ao Guggenheim e sua esposa, e os quadros permanecem expostos na posição original.
Um jardim interno trazia uma energia e um perfume que poderia me fazer passar horas ali (se o meu amor estivesse comigo). Mas tive que sair correndo para encontrar com ele, dar-lhe um abraço bem apertado e, emocionada, agradecer por ter vivido aquilo.
Na volta pra casa, como era de se esperar, nos perdemos de novo. Andamos, andamos e não chegávamos no hotel. Entramos em um labirinto, para descobrir depois que ali era um pátio sem saída. Andamos e percebemos que já tínhamos passado ali. Andamos um pouco mais, e vimos por uma placa que estávamos voltando para a ponte Rialto, de onde tínhamos saído. Acabou sendo muito divertido, demos muitas gargalhadas quando finalmente chegamos ao hotel.
Esse é o nosso caminho voltando pro hotel:





























